História: Médico e carrasco nazista, Josef Mengele passou por cirurgia em Jundiaí
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História: Médico e carrasco nazista, Josef Mengele passou por cirurgia em Jundiaí

O Jornal da Cidade trouxe uma matéria com o médico Dr. Eduardo Fredini Junior, que confirmou com fatos e documentos que havia operado em Jundiaí um dos homens mais procurados do mundo

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Montagem com imagens históricas de Josef Mengele e recorte do Jornal da Cidade, de Jundiaí, de 1985
Da esquerda para a direita: Médico nazista Mengele; recorte do Jornal da Cidade de 11 de setembro de 1985; e Mengele no apogeu do nazismo (acervo Sebo Prof. Mauricio Ferreira)

27 de janeiro de 1945. Há exatos 75 anos, prisioneiros sobrevivente do campo de concentração nazista em Auschwitz-Birkenau, na Polônia, foram libertados por tropas soviéticas.

Uma das figuras mais conhecidas no Brasil no terrível episódio do Holocausto foi o chamado ‘Anjo da Morte’, Josef Mengele, médico responsável pelo extermínio de milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ele viveu dos 50 aos 67 anos escondido em cidades brasileiras como Caieiras , Serra Negra, Diadema e São Paulo entre outras.

Os jornais de 1985 estampavam freneticamente a descoberta de que o médico nazista havia morado 17 anos escondido no interior de São Paulo.

O Jornal da Cidade de Jundiaí, em 11 de Setembro de 1985, trazia uma matéria com o médico Dr. Eduardo Fredini Junior, que confirmou com fatos e documentos que havia operado em Jundiaí um dos homens mais procurados do mundo.

Naquela mesma semana os médicos Fredini Junior e Antônio Furtado de Albuquerque Cavalcanti prestaram depoimentos à Polícia Federal e reconheceram por intermédio de fotografias e documentos o alemão nazista como paciente de ambos.

Ambos não sabiam, porém, que este paciente se tratava de Mengele.

Por volta de 1972 o conhecido médico de Jundiaí, Dr Fredini, foi procurado no Hospital Santa Elisa por um homem elegante de 1,75m e com dificuldade em falar o português.

Se apresentou como um suíço que vivia no bairro da Figueira Branca, em Campo Limpo Paulista. Não há, no entanto, confirmação que viveu por lá.

Acredita-se que deu esse endereço para poder se tratar em Jundiaí, pois nessa época os hospitais particulares tinham convênio com o INPS I(nstituto Nacional de Previdência Social), atual SUS (Sistema Único de Saúde).

Dr. Eduardo Fredini Jr., médico que operou Mengele em Jundiaí

O alemão se apresentou como Peter. Sua doença era tão rara que em décadas de medicina o Dr. Fredini Junior afirmava que era o único caso que tinha conhecimento.

Tratava-se de um tumor tricô-bezoir, que é formado por pelos e se alojam no estômago. No caso de Mengele se formou por conta de engolir fios de seu bigode, que se alojaram em seu intestino.

Afogado em Bertioga

Bertioga, 7 de fevereiro de 1979. O cabo da PM Espedito Dias Romão já se preparava para passar o plantão e ir para casa quando atendeu a uma chamada de emergência. Do outro lado da linha, alguém avisava de um corpo na Praia da Enseada.

Ao chegar ao local, por volta das quatro da tarde, encontrou a praia deserta. Na areia, apenas o banhista morto e um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert.

“Não havia mais nada que pudesse fazer. Ele já fora resgatado da água sem vida”, recorda Romão, hoje aposentado, aos 72 anos.

“Por se tratar de um mal súbito, acredito que tenha sido fulminante. Mas, não posso garantir.”

A documentação apresentada por Wolfram identificava o cadáver como Wolfgang Gerhard, um austríaco de 54 anos.

Somente em 1985, Romão veio a descobrir que Gerhard era um dos muitos pseudônimos que Josef Mengele usou para viver no anonimato, depois de fugir perante a derrota na Segunda Guerra.

O verdadeiro Gerhard morreu em 16 de dezembro de 1978 e foi sepultado em Graz, na Áustria, sua terra natal.

A lista de nomes falsos adotados por Mengele era extensa e incluía, entre outros, Fritz Ullmann, Helmut Gregor e Fausto Rindón.

Só no Brasil, foram dois: Peter Hochbichler e Wolfgang Gerhard.

“Nosso país nunca foi uma opção para Mengele por causa da presença de índios e negros. Na América do Sul, ele preferia a Argentina. Por ter muitos alemães e simpatizantes do nazismo, se sentia em casa”, explicou o jornalista e historiador Marcos Guterman, autor de “Nazistas Entre Nós – A Trajetória dos Oficiais de Hitler Depois da Guerra” (2016), em entrevista à BBC Brasil.

“Mengele só fugiu para cá porque temia ser capturado como Adolf Eichmann”, completa o historiador, referindo-se a outro criminoso de guerra, capturado em maio de 1960, na Argentina, e enforcado em junho de 1962, em Israel.

Médico e monstro de Auschwitz

Quando a derrota na Segunda Guerra tornou-se uma questão de dias, os oficiais nazistas só tinham três decisões a tomar: suicídio, prisão ou tentativa de fuga.

Em 17 de janeiro de 1945, quando tropas soviéticas estavam a dez dias de tomar Auschwitz, Mengele optou pela terceira alternativa. Sob o pseudônimo de Fritz Ullmann, trabalhou, por quatro anos, numa plantação de batatas no sul da Alemanha.

Em junho de 1949, seguiu para a Argentina, onde trocou novamente de identidade e virou Helmut Gregor.

Quando a Alemanha pediu sua extradição, fugiu para o Uruguai. Em 1959, migrou para o Paraguai e, dois anos depois, para o Brasil.

“Mengele era de família rica. Na Argentina e no Paraguai, contou com a ajuda de outros ex-oficiais nazistas. Chegou a ser dono de uma farmacêutica na Argentina, de onde tirava um bom dinheiro”, relata Guterman.

Josef Mengele nasceu em Günzburg, na Alemanha, no dia 16 de março de 1911.

Seu pai, Karl, era um rico industrial do ramo de equipamentos agrícolas. Mas, em vez de assumir os negócios da família, preferiu estudar medicina em Frankfurt.

Formado em 1938, foi admitido em Auschwitz cinco anos depois, como coronel-médico da SS, a tropa de elite do regime nazista.

Logo, ganhou o título de ‘O Anjo da Morte’.

“Mengele foi o mais sádico e cruel de todos. Como se estivesse brincando de Deus, selava o destino dos prisioneiros que chegavam a Auschwitz. Enquanto uns seguiam para o campo de trabalhos forçados, outros eram jogados nas câmaras de gás”, explica o jornalista americano Gerald Posner, autor de “Mengele – The Complete Story” (2000).

Um terceiro grupo, formado por gêmeos, anões e deficientes físicos, era usado como cobaia de experimentos macabros no pavilhão batizado de “zoológico”.

Suas pesquisas, que nada contribuíram para a ciência, consistiam, entre outras atrocidades, em testar os limites do ser humano em temperaturas altíssimas – como caldeirões de água fervente – ou injetar cimento líquido nos úteros das prisioneiras para avaliar os efeitos da esterilização em massa.

Recluso, Mengele gostava de ler poesia e ouvir música clássica

Assim que chegou ao Brasil, em 1961, ele passou a se chamar Peter Hochbichler e foi morar em Nova Europa, a 318 km de São Paulo. Por intermédio de Wolfgang Gerhard, um simpatizante de Hitler que morava no país desde 1948, foi apresentado ao casal Geza e Gitta Stammer.

Como estavam à procura de alguém para administrar sua fazenda de café, resolveram contratá-lo.

Um ano depois, se mudaram para Serra Negra.

“De tão campesino, nosso município não tinha sequer asfalto. Era o lugar ideal para alguém se esconder”, afirma o historiador Pedro Burini, autor de “O Anjo da Morte em Serra Negra” (2013).

A casa em que Mengele viveu em Serra Negra (SP)

“Como os Stammer eram húngaros, Mengele ficou conhecido na região como Pedro Hungarês. Ou, simplesmente, Pedrão.”

Sob o pretexto de observar pássaros, Mengele mandou construir uma torre, com cerca de seis metros de altura, no telhado do sítio.

Munido de binóculos, passava horas lá em cima, vigiando quem entrava e saía da propriedade.

“Mengele vivia sob constante tensão. Tinha pavor de ser capturado por agentes do Mossad, o serviço secreto de Israel”, relata o jornalista francês Olivier Guez, autor de “O Desaparecimento de Josef Mengele”.

“O pavor era tanto que deixou o bigode crescer. Acreditava que, por debaixo dele, ninguém o reconheceria. O problema é que, de tanto mastigar os fios do bigode, formou-se uma bola de pelos em seu estômago, que o obrigou a fazer uma cirurgia.”

Paranoico, Mengele raramente saía de casa. Passava os dias recluso, lendo Goethe e ouvindo Strauss. Quando precisava ir à cidade, vestia capa e chapéu. Não satisfeito, ia escoltado por uma matilha de cães que ele mesmo adestrou.

A amizade com os Stammer chegou ao fim em 1975, quando Geza descobriu que Mengele e sua mulher tiveram um caso.

Foi quando o criminoso de guerra mais procurado de todos os tempos se viu obrigado a mudar de endereço. Dali em diante, perambulou por diversas cidades paulistas, como Caieiras, Diadema e Embu.

Procura-se vivo ou morto. Recompensa: US$ 3,4 milhões

Seu último esconderijo foi a residência dos Bossert, no bairro do Brooklin, na capital paulistana. À época, Gerhard precisou regressar para a Áustria e deixou toda sua documentação com Mengele.

De saúde frágil, o médico de Auschwitz queixava-se de insônia, hipertensão e reumatismo. À noite, não ia para a cama sem esconder uma velha pistola Mauser, uma semiautomática de origem alemã, sob o travesseiro.

Faz sentido. Sua cabeça valia, na ocasião, um prêmio estimado de US$ 3,4 milhões, algo em torno de R$ 12 milhões.

Em outubro de 1977, quando morava na Estrada do Alvarenga, próximo à represa Billings, Mengele recebeu uma visita inusitada: Rolf, seu filho. Ao longo de duas semanas, quis ouvir do pai sua versão sobre Auschwitz.

Em entrevista ao programa The Phil Donahue Show, de 17 de junho de 1986, Rolf Jenckel, hoje advogado em Munique, na Alemanha, relata que, em nenhum momento o velho demonstrou culpa ou remorso: “Não admitiu que fez nada de errado. Disse apenas que estava cumprindo ordens”.

Sob o nome falso de Wolfgang Gerhard, o corpo de Mengele foi sepultado no cemitério de Nossa Senhora do Rosário, em Embu das Artes.

Provavelmente estaria lá até hoje se, em maio de 1985, a polícia alemã não tivesse interceptado cartas dos Bossert endereçadas a Hans Sedlmeier, um ex-funcionário da família Mengele.

Desconfiadas, as autoridades alemãs acionaram a polícia brasileira que, sob a responsabilidade do superintendente da PF em São Paulo, o delegado Romeu Tuma, resolveu fazer buscas na residência do casal e descobriu toda a verdade.

Então superintendente da Polícia Federal, Romeu Tuma, analisa ossada de Mengele (Foto: Associação dos Delegados da Polícia Federal)

O corpo de Mengele, então, foi exumado e seus restos mortais examinados pela equipe do legista Daniel Romero Muñoz, então diretor do setor de antropologia do Instituto Médico Legal de São Paulo.

Seu laudo, de julho de 1985, foi confirmado, sete anos depois, por um exame de DNA feito na Inglaterra: a ossada era mesmo de Mengele.

Como o filho nunca requisitou o corpo do pai, seu esqueleto é usado, desde 2016, como material didático em aulas de medicina forense da USP. Diante disso, Israel deu o caso por encerrado.

Encerrado? Não para o historiador polonês naturalizado brasileiro Henry Nekrycz. Em Mengele – A Verdade Veio à Tona (1994), Ben Abraham, como era mais conhecido, sustenta que tudo não passou de uma farsa. O corpo enterrado no Brasil em 1985 não seria do médico nazista e, sim, de um sósia.

“Consigo entender quando um sobrevivente do Holocausto, como Ben Abraham, não se conforma que seu carrasco, Mengele, tenha morrido placidamente numa praia paulista, sem pagar pelos crimes que cometeu. Mas o fato é que Mengele morreu e foi enterrado em São Paulo. O resto é teoria da conspiração”, avisa Guterman.

Tristes lembranças

Sobreviventes do regime nazista alemão voltaram nesta segunda-feira (27) ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, para a cerimônia que marca 75 anos da libertação pelas tropas soviéticas.

Sobrevivente chora no campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, nesta segunda-feira (27), durante cerimônia que lembra os 75 anos da libertação (Foto: Jakub Porzycki / Agência Gazeta via Reuters)

Em muitos casos, eles são acompanhados por filhos, netos e até bisnetos, de acordo com a Associated Press.

Com gorros e lenços listrados de azul e branco, simbolizando os uniformes destes prisioneiros no campo, atravessaram, com tristeza, o célebre portal de ferro com a inscrição “Arbeit macht frei” (“O trabalho liberta”, em tradução livre do alemão para o português).

Acompanhados do presidente polonês, Andrzej Duda, eles depositaram coroas de flores perto do “muro da morte”. Mais de 1 milhão de pessoas foram vítimas nesse campo de concentração, que é considerado um dos principais símbolo do genocídio.

Com informações e fotos de Sebo Prof. Maurício Ferreira/ BBC Brasil e G1

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