Alckmin sempre vence as eleições que não disputa
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Alckmin sempre vence as eleições que não disputa

Ex-governador registra percalços em campanhas eleitorais mais acirradas.

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David Silva é estrategista de marketing e fala sobre neuromarketing, inovação, planejamento e comunicação
David Silva é estrategista de marketing e fala sobre neuromarketing, inovação, planejamento e comunicação (Foto: Arquivo pessoal)

Estamos mais uma vez às vésperas de um período eleitoral e, como de costume, há quem adore apontar o favoritismo de um ou de outro candidato.  Na grande maioria das vezes, o que chamam de análise é na, melhor das hipóteses, um gesto de torcida. Fala-se muito mais daquilo que gostariam que acontecesse, do que de fato daquilo que a conjuntura política informa nas entrelinhas das pesquisas eleitorais. Entre essas utopias eleitorais, merece destaque essa aura de favoritismo que andaram tentando dar à candidatura de Geraldo Alckmin para o governo do estado. 

É claro que a política difere da vida em muitos aspectos. Na vida, é comum nos acostumarmos com a ideia – lamentavelmente verdadeira – que a única coisa que não tem jeito é a morte. Já na política, às vezes, até quem morre teima em ressuscitar. Evidentemente, esse não é o caso do queridíssimo ex-governador, que, na última eleição presidencial que disputou, teve aqui no estado de São Paulo mais do que o dobro da média de votos obtidos em todo o Brasil. Hoje, tem baixo nível de rejeição e lidera as pesquisas quantitativas de opinião pública mas, apesar de já ter governado, inúmeras vezes, o maior estado da América Latina, deve saber que não tem a menor chance de vencer as eleições estaduais, ao menos não no cenário que se configura para 2022.

Não escondo de ninguém o quanto gosto de Alckmin, seja pela forma respeitosa e carinhosa como trata as pessoas, seja pela seriedade com que sempre administrou as finanças públicas. Aliás, mais sério que ele, por enquanto, só conheci um baixinho invocado que andou administrando Várzea Paulista na última década.

Se escrevesse aqui, com paixão ou estivesse disposto a fazer um gesto de torcida, atribuiria ao ex-governador uma enorme chance de vitória. Mas para fazer valer os ensinamentos dos mestres Carlos Figueiredo,  Carlos Manhanelli, Tadeu Comerlatto, entre outros, eternos mestres da estratégia eleitoral, é preciso ver o que está nas pesquisas, e também o que há na história , no perfil dos candidatos no contexto como um todo.  E uma análise dessas informações sinalizam sérias dificuldades na disputa por um eventual quinto mandato do ex-governador. 

Nesta eleição para o governo do estado, Geraldo Alckmin, apesar de liderar as pesquisas de opinião pública, não contaria com o trunfo que sempre usou tão bem: a máquina pública. Desta vez, se fosse candidato a governador, teria de lidar com um cenário de acirrada competição, muito diferente do ambiente das campanhas estaduais que sempre venceu com relativa tranquilidade. Ao que tudo indica, haveria no seu encalço pelo menos três candidatos com significativo potencial de crescimento e que já alcançam dois dígitos nas pesquisas. Para o bem ou para o mal, a história de Geraldo Alckmin mostra que, nesse tipo de cenário, em que a briga é acirrada, ele costuma ter mais azar do que sorte. 

Enquanto governador, sempre fez o que pode – e, na época, podia fazer muito – para “amornar” a disputa eleitoral antes de ela acontecer. Jamais permitiu o fortalecimento político de uma terceira via e sempre atuou para isolar a oposição. Não foi à toa que sempre liderou, de ponta a ponta, as eleições que venceu, chegando a ser eleito por duas vezes consecutivas ainda no primeiro turno. Alckmin vence sem disputar, porque, habilidoso e estrategista que é , nesses casos, consegue impedir que o confronto político ganhe contundência.

Porém, sempre que as rédeas do ambiente político estiveram distantes, o ex-governador se viu em maus lençóis. Foi assim nas vezes em que disputou a presidência da República e nas duas vezes em que disputou a prefeitura da capital.   

Existem candidatos que, pela personalidade e pela imagem já consolidada, crescem com o calor da disputa, e há aqueles que, na fervura eleitoral, acabam patinando. A verdade é que Alckmin, ao que tudo indica , faz parte do segundo grupo e, sabendo disso, usa sempre a estratégia de administrar a seu favor o calor da disputa.

NAS ELEIÇÕES QUE VENCEU, O EX-GOVERNADOR SEMPRE O FEZ COM RELATIVA FACILIDADE

Ano Cargo Resultado 
1998 Vice-governador do Estado Eleito ao lado de Mário Covas 55,37%
2000Candidato a Prefeito Terceiro Colocado com 17,42%
2002Candidato a Governador Eleito com 58,64% dos votos, após ter vencido o primeiro turno com 38,28%. 
2006Candidato a Presidente Foi ao segundo turno contra Lula e perdeu no segundo turno com 39,47% dos votos.
2008Candidato a Prefeito Ficou em terceiro lugar com 22, 48% dos votos.
2010Candidato a Governador Derrotou Aloizio Mercadante no primeiro turno com 50,83% dos votos 
2014Candidato a Governador Derrotou Paulo Skaf no primeiro turno com 57,3% dos votos
2018Candidato a Presidente Ficou em quarto lugar com 4,76% dos votos. 

Desta feita, Lula, sabido que é, deve ter observado que Alckmin, a despeito de ter, na última corrida presidencial, obtido um desempenho considerado pífio pelos analistas mais desavisados, tem baixíssima rejeição, é um nome bem-visto pelo mercado financeiro e tem o potencial de carregar com ele, de transferir, metade do seu eleitorado para outro candidato.

Se essa aproximação entre os dois faz algum sentido, seria assunto para outra prosa, mas,  com a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo do estado, haveria uma enorme probabilidade de Rodrigo Garcia, atual candidato governista ao Palácio dos Bandeirantes, ganhar para si parte do eleitorado Alckmista. Nesse cenário, é possível que faltem votos para Geraldo ir ao segundo turno. Sabendo disso, o ex-governador, que também não é bobo nem nada, já se prepara para disputar o cargo de vice-presidente, integrando a chapa de Lula. Se esse seu movimento for bem-sucedido, e Lula vencer as eleições do ano que vem, terá em seu histórico mais uma eleição vencida sem ter protagonizado o calor da disputa. 

David Silva é estrategista de marketing e fala sobre neuromarketing, inovação, planejamento e comunicação. 

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Tribuna de Jundiaí.

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