Médico receitando remédio
Foto: Depositphotos/ 18percentgrey

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para a doença de Alzheimer no país. O medicamento Leqembi, produzido com o anticorpo lecanemabe, é capaz de desacelerar a destruição do cérebro causada pela doença e representa um avanço importante no enfrentamento do Alzheimer.

A liberação ocorreu em 22 de dezembro de 2025. Até então, os tratamentos disponíveis atuavam apenas nos sintomas e nas consequências da doença, sem interferir diretamente em sua progressão.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de brasileiros convivem com a doença de Alzheimer, principal causa de demência neurodegenerativa no mundo.

Como o Leqembi funciona?

Produzido com o anticorpo lecanemabe, o Leqembi é indicado para pessoas que já apresentam demência leve causada pelo Alzheimer.

Esse anticorpo, semelhante aos que o próprio organismo produz para combater vírus e bactérias, foi desenvolvido para acionar o sistema imunológico e promover a remoção das placas beta-amiloides do cérebro. Essas placas são formadas pelo acúmulo da proteína beta-amiloide, considerada uma das principais características da doença.

Na prática, o medicamento atua diretamente na substância pegajosa que se deposita no cérebro de pessoas com Alzheimer, contribuindo para retardar a progressão da doença. A administração é feita por infusão intravenosa, recomendada para pacientes nos estágios iniciais.

Estudo comprova a eficácia do medicamento

A eficácia do lecanemabe foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 no New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas mais importantes do mundo.

O estudo de larga escala envolveu 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial, que receberam infusões do medicamento a cada duas semanas. Após 18 meses de tratamento, os resultados apontaram uma redução do declínio cognitivo-funcional, indicando uma progressão mais lenta da doença.

Desde 2023, o Leqembi já é aprovado pela FDA e comercializado nos Estados Unidos. Com a decisão da Anvisa, o medicamento passa a estar disponível também no Brasil.

Das poucas opções às novas terapias contra o Alzheimer

Nos últimos anos, surgiram poucas opções terapêuticas realmente inovadoras capazes de interferir no desenvolvimento e na progressão da doença de Alzheimer.

Até a década de 1970, o conhecimento científico apontava apenas a associação entre envelhecimento, atrofia cerebral e o acúmulo de duas proteínas anormais: a tau, que se deposita dentro dos neurônios, e a beta-amiloide, que se acumula fora deles.

Os tratamentos da época eram essencialmente de suporte, incluindo mudanças de hábitos, vitaminas e estimulantes da memória, sem eficácia comprovada.

Com o avanço das pesquisas, a compreensão da causa da doença evoluiu, abrindo caminho para terapias direcionadas, como o lecanemabe.

Avanço promissor, mas com cautela

Apesar do otimismo, o especialista destaca que ainda são necessários mais estudos e acompanhamento de longo prazo antes de considerar o tratamento um sucesso definitivo.