
A jundiaiense Gisele Ferreira, apelidada de “Gy”, sobrevivente do câncer de mama, lançou uma autobiografia poética, ‘O Lado B da Vida’, que narra sua jornada contra a doença por meio de poesias e fotos artísticas feitas pela fotógrafa Leca.
O livro está dividido em três partes: “porta”, “ponte” e “pele” e, em cada sessão, Gy descreve de forma poética como enfrentou as etapas da doença, desde o diagnóstico, queda dos cabelos até a aceitação de sua nova versão. “É um tributo a toda a equipe médica e profissionais de enfermagem que cuidaram de mim e às mulheres que estiveram do meu lado até o fim”, completa.
‘O Lado B da Vida’, a história de uma sobrevivente do câncer de mama
Gy conta que a vontade de escrever surgiu quando ainda estava em tratamento do câncer de mama e as poesias foram escritas durante o tratamento. “Foi desta forma que encontrei um meio de entender e enfrentar o que estava acontecendo comigo”, recorda.
Ela detalha que a poesia foi a forma escolhida devido à sensibilidade que gira em torno do câncer de mama e, com isso, decidiu trazer leveza para a narrativa, mas ao mesmo tempo transitar entre sentimentos, como: dor, contradição e luta.
Durante seu tratamento contra o câncer de mama, Gy escreveu uma poesia enquanto ela ainda estava na sala de quimioterapia e ela compartilha com o Tribuna de Jundiaí:
É ali, naquela sala fria… onde a luz natural não entra… onde os julgamentos se calam…
É ali, naquela sala sem vida… onde as dores viram mantra… onde as histórias se igualam…
É ali, naquela sala de sorrisos… onde as alegrias são finitas… onde se pensa na longevidade, na brevidade, ou seria na prioridade?
Mas prioridade do quê?
Prioridade em tomar um café, talvez?
É ali, naquela sala cheia de vidas… onde cada um sabe do seu tempo… passatempo… contratempo… onde em todos os dias se pergunta:
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Luta contra o câncer de mama
Gy deixa um trecho de uma conversa que retrata como foi sua luta contra o câncer de mama:
É como estar em uma guerra e ter que juntar os pedaços, mas quais pedaços? Qual parte de mim seria necessário acolher? Qual parte de mim seria necessário deixar para trás para seguir em frente?
das conversas com Rose, sexta-feira, por volta das 19h.
Gy Ferreira
Segundo a autora, é assim que ele descreve o livro e as três fases que vivenciou contra o câncer de mama. “A primeira delas intitulei de “porta”. Este é o momento em que o chão se abriu e parecia estar caindo num buraco sem fim. Este é o momento de enfrentar o medo, dúvidas, encarar a possibilidade da morte e, ao mesmo tempo, fazer novas descobertas, refletir sobre a vida, os conflitos. Neste momento, sou eu, eu mesma e Gisele”, explica.
As etapas são seguidas da “ponte” que, segundo ela, foi onde o processo de transformação e cuidado com a família, além de fortalecimento das amizades verdadeiras, começaram em sua vida. “Foi o momento em que a minha fé e espiritualidade se fortaleceram”, afirma.
O último ponto a ser abordado é a “pele”, que despertou a consciência e a dura realidade da mastectomia. “Como seria sobreviver ou conviver com este novo corpo?”, indaga Gy sobre o tratamento contra o câncer de mama.
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E toda essa jornada abordada no livro tem como foco mostrar às outras mulheres sobre a importância da rede de apoio durante o tratamento. “Espero que as pessoas tenham um olhar mais acolhedor em relação às pessoas com câncer. Pois, mesmo com o término do tratamento, os efeitos colaterais são diversos, dolorosos e silenciosos”, afirma Gy, destacando que uma vez paciente sempre carregará marcas permanentes.
“O câncer é uma doença que começamos, mas não sabemos como termina, por isso, a resiliência é importante durante todo o processo”, diz.
Gy também administra a Rede Girassóis, grupo de apoio de mulheres que já terminaram ou estão em tratamento oncológico. No grupo, é promovido atividades de acolhimento e fortalecimento. Clique aqui para saber mais sobre a iniciativa!