Médica do Hospital São Vicente segura a mão de paciente idoso em leito hospitalar, demonstrando cuidado humanizado e acolhimento durante atendimento de saúde.
Pacientes são acolhidos com cuidado e tratamento humanizado (Foto: Divulgação/Hospital São Vicente)

Aliviar o sofrimento e promover conforto são os principais propósitos da equipe de Cuidados Paliativos do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV). Muito além do controle de sintomas, esse modelo de atenção coloca o paciente no centro do cuidado, considerando de forma integral o corpo, a mente, o contexto social e a dimensão espiritual, sempre com respeito à história, aos valores e às escolhas de cada pessoa.

Voltado a pacientes e familiares que enfrentam doenças graves ou potencialmente ameaçadoras da vida, como condições crônicas avançadas, disfunções orgânicas ou quadros de maior fragilidade clínica, o cuidado paliativo é conduzido de maneira individualizada, contínua e humanizada. O acompanhamento acontece ao longo das diferentes fases do tratamento, com foco permanente na qualidade de vida.

O que são cuidados paliativos e quem pode receber

Diferente do que ainda se imagina, os cuidados paliativos não se restringem apenas ao fim da vida. Eles podem acompanhar o paciente por longos períodos, inclusive por anos, desde o diagnóstico de uma condição que gere sofrimento significativo.

“Nem todo paciente em cuidados paliativos está em situação de morte iminente; muitas vezes, ele permanece nesse cuidado por anos, o que pode assustar algumas pessoas. Originalmente, os cuidados paliativos surgiram para pacientes em fim de vida, mas hoje o objetivo é paliar o sofrimento grave associado à saúde, independentemente da fase da doença. As condições mais acompanhadas incluem doenças oncológicas, neurológicas progressivas, cardíacas e pulmonares avançadas e doença renal crônica. O diferencial desse cuidado é o acolhimento ampliado, que envolve paciente e família, e vai além das medicações, contando com uma equipe multiprofissional integrada”, explica a médica Elisabeth Losso, especialista em cuidados paliativos.

Atendimento multiprofissional e acolhimento ampliado

No Hospital São Vicente, os cuidados paliativos são realizados por uma equipe multiprofissional composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais e farmacêuticos. O trabalho é fortalecido ainda pela atuação da Capelania Hospitalar e do Voluntariado, que ampliam o suporte emocional e espiritual oferecido ao paciente e à família, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade.

Essa integração permite um cuidado mais sensível, que vai além do tratamento clínico, promovendo escuta, presença e acolhimento.

A importância dos cuidados paliativos no Brasil e no mundo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 56 milhões de pessoas em todo o mundo necessitam de cuidados paliativos, sendo que mais de 25 milhões estão próximas da fase final de vida. A maioria desses pacientes tem mais de 50 anos e vive em países de média e baixa renda.

No Brasil, os serviços vêm crescendo de forma gradual. Segundo dados da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), havia 177 serviços em 2018. Esse número aumentou cerca de 8% em 2019, ultrapassando 190 serviços, conforme publicação de 2023. Os dados reforçam a necessidade de ampliar o acesso a esse tipo de cuidado, garantindo atendimento integral, humanizado e de qualidade.

Resultados do último ano no Hospital São Vicente

O impacto do serviço no HSV é evidenciado pelos números mais recentes.

“No último ano, o serviço de cuidados paliativos do HSV registrou 643 atendimentos. Os números evidenciam a consistência e a capacidade de resposta do serviço, reafirmando a relevância desse modelo de cuidado na promoção de conforto, dignidade e qualidade de vida”, reforça Elisabeth.

Olhar para o futuro: cuidado mais próximo e em rede

Com foco na ampliação e no fortalecimento dos cuidados paliativos, o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo prevê a implantação de um novo projeto em parceria com a rede municipal de saúde. A proposta busca ampliar a atuação em rede e possibilitar, sempre que indicado, o acompanhamento domiciliar, favorecendo o convívio com a família e um ambiente mais acolhedor.

Além de promover um cuidado mais alinhado às necessidades de cada paciente, a iniciativa contribui para reduzir internações e intervenções que nem sempre trazem benefícios reais, estimulando um uso mais consciente e humanizado dos recursos de saúde.