Explosão de grandes proporções ilumina prédio durante a noite, com chamas intensas e fumaça densa subindo ao céu em área urbana da Venezuela.
Cuartel de La Montaña foi atingido durante o ataque (Foto: Arquivo pessoal)

Morador de Jundiaí há nove anos, o venezuelano Murachi Peña acompanha com atenção os desdobramentos da crise política e militar em seu país de origem. Autônomo, ele atua na distribuição de produtos alimentícios no interior de São Paulo e mantém contato frequente com familiares que ainda vivem na Venezuela.

Neste sábado (3), a situação ganhou novos contornos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, depois de confirmar um ataque norte-americano ao país sul-americano.

Família ouviu explosões, mas passa bem

Em entrevista exclusiva ao Tribuna de Jundiaí, Murachi contou que seus familiares ficaram assustados com as explosões registradas em algumas regiões, mas reforçou que todos estão em segurança.

“Minha família (pai, mãe e irmãos) estão no interior da capital, em Valencia Edo. Carabobo, fica a 1h20 de Caracas, a família que mora em Caracas (tios e primos) estão todos bem, alguns sem energia elétrica e sem água, mas isso é normal por lá, a internet está funcionando normal, todos estão seguros, falam que nas ruas da capital Caracas, que estão fazendo confusão são os paramilitares chamados coletivos aramados do regime, mas está tudo tranquilo”.

Ele também compartilhou alguns registros feito pelos familiares:

Segundo ele, apesar do clima de tensão, não houve registros de feridos entre seus familiares.

Comunicação constante e cautela com o regime

Murachi afirma que mantém contato diário com os familiares, principalmente por aplicativos de mensagens, mas com cautela em relação a críticas ao governo.

“Minha família graças a Deus estão bem, civis e população em geral não sofreu lesão ou prejuízo nenhum, minha família está muito feliz pelo acontecido, eu estou me comunicando com eles pelo WhatsApp mas sem falar nada negativo do regime por temor ao regime do Maduro”.

O relato reflete o receio ainda presente entre venezuelanos que vivem no país, mesmo diante de possíveis mudanças políticas.

Comunidade venezuelana cresce no interior de São Paulo

Além da preocupação com a família, Murachi destaca o fortalecimento da comunidade venezuelana no interior paulista. Segundo ele, nos últimos cinco anos houve um crescimento significativo de imigrantes vindos da Venezuela em cidades como Jundiaí, Itupeva, Cabreúva, Itu, Louveira, Vinhedo, Valinhos, Campinas, Indaiatuba e Sorocaba.

O movimento reforça a integração desses imigrantes à economia regional, especialmente em setores como comércio, serviços e logística, ao mesmo tempo em que mantém vivos os laços com o país de origem em um momento decisivo de sua história.