
A escolha de Andreina Gomes Pinheiro de Almeida como Miss Pérola Negra de Jundiaí é símbolo de reconstrução pessoal, representatividade e afirmação cultural.
Andreina descreve o momento em que ouviu seu nome na cerimônia como um reencontro com quem realmente é.
“Ser chamada como Miss Pérola Negra de Jundiaí foi o encontro de um sonho antigo com um coração que precisava recomeçar. Minha coroação não foi apenas um título. Foi um reencontro comigo mesma e com minha identidade.”

Ela enfatiza que essa conquista vai além do pessoal: representa a história, a força e os sonhos de toda uma comunidade negra que resiste, floresce e se reconstrói continuamente.
Representatividade negra com afeto
Para a Miss, o empoderamento feminino negro promovido pelo concurso se constrói com leveza e acolhimento.
“O empoderamento feminino negro que esse concurso propõe é leve, é sobre pertencimento, autoestima e amor-próprio. É mostrar que podemos ocupar espaços com tranquilidade, alegria e dignidade, sem precisar endurecer para existir.”

Suas memórias de infância moldaram essa perspectiva. Criada por mulheres negras fortes e afetuosas, carrega um profundo respeito pela ancestralidade, mas recusa a dor como destino inevitável.
“Meus antepassados enfrentaram ódio, discriminação e silenciamento, e eu carrego profundo respeito por isso. Mas escolho não viver na dor. Honro minha ancestralidade vivendo com leveza, afeto e a liberdade que eles tanto lutaram, transformando o que foi sofrimento em amor.”
Preparação para a Festa da Uva 2026
Para estar presente de forma íntegra em cada momento da intensa programação da Festa da Uva de Jundiaí, Andreina tem priorizado o cuidado com o corpo, a mente e o coração. “Quero viver a Festa da Uva com verdade, troca e proximidade, levando sorrisos, escuta e sensibilidade a cada espaço que eu passar.”

Cultura afro-brasileira em destaque em Jundiaí
Representar a cultura afro-brasileira em um dos eventos mais tradicionais de Jundiaí é, segundo a Miss, uma afirmação de pertencimento.
“Estar nesse espaço tão plural é afirmar que pertencemos, que sempre estivemos aqui, pois também fizemos parte da construção da cidade, e que podemos celebrar juntos, sem separações, apenas com respeito e alegria.”
Na interseção entre as tradições locais e as expressões afro-brasileiras, ela vê potência. “Essa união enriquece e amplia a identidade da cidade, mostrando que a diversidade é uma força que constrói e conecta.”

Inspiração para outras mulheres negras
Como referência para jovens negras, Andreina mantém um discurso sincero e humano. “Quero inspirar mostrando que não precisamos carregar o mundo nas costas para sermos fortes.” Ao compartilhar sua trajetória de superação da obesidade e o enfrentamento da depressão, ela reforça que sonhar, existir e ocupar espaços também são atos de coragem.
“Eu venci a obesidade e venço todos os dias a depressao quando escolho existir, e quero mostrar para todas as nossas mulheres que elas são capazes também.”
Um legado de leveza e liberdade
Em seu reinado como Miss Pérola Negra de Jundiaí, Andreina espera deixar um legado de leveza e consciência.
“A dor dos nossos antepassados foi real, mas não precisa ser o nosso único destino. Que possamos olhar uns para os outros com amor, igualdade e humanidade, além da raça e da cor. Que a minha coroa seja símbolo de alívio, de reconhecimento e de um novo tempo, onde todos possam simplesmente SER quem são.”