Correios
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os Correios anunciaram uma ampla reestruturação dos Correios, que inclui a demissão voluntária de empregados, o encerramento de até mil agências deficitárias e a venda de imóveis. A expectativa da estatal é reequilibrar as contas até 2026 e retomar a lucratividade em 2027.

Medidas para superar a crise

O plano, aprovado em 19 de novembro, contempla ações para garantir a continuidade, eficiência e qualidade dos serviços postais. Entre os principais pontos estão:

  • Programa de Demissão Voluntária (PDV);
  • Redução de custos com o plano de saúde dos empregados;
  • Modernização do modelo operacional e da infraestrutura tecnológica;
  • Fechamento de até mil agências com baixo desempenho;
  • Venda de imóveis com expectativa de arrecadação de R$ 1,5 bilhão.

Além disso, está prevista a ampliação das operações de e-commerce e a formação de parcerias estratégicas. A estatal também considera fusões, aquisições e outras formas de reorganização societária para aumentar sua competitividade.

Retomada do equilíbrio financeiro

De acordo com os Correios, o plano de reestruturação dos Correios foi desenvolvido após análises profundas do modelo de negócios e da situação financeira da empresa. A estatal obteve autorização para contratar um empréstimo de até R$ 20 bilhões, com o objetivo de cobrir o déficit atual e viabilizar a reestruturação.

Segundo a empresa, a nova estratégia será implantada em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento. O foco está na redução de despesas e geração de receitas, com impacto positivo já a partir do próximo ano.

Histórico recente e pacote emergencial

Após fechar 2024 com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, os Correios lançaram, em maio deste ano, um pacote emergencial que incluiu:

  • Novo PDV;
  • Redução da jornada nas unidades administrativas para 6 horas diárias;
  • Suspensão temporária das férias de 2025;
  • Extinção do trabalho remoto.

A última edição do programa de demissão voluntária contou com a adesão de 3,5 mil empregados, resultando em economia anual estimada em R$ 750 milhões.

Presença nacional e papel social

reestruturação dos Correios busca preservar a missão pública da estatal, assegurando a universalização dos serviços postais, inclusive em regiões remotas. Atualmente, os Correios estão presentes nos 5.568 municípios brasileiros, além do Distrito Federal e do Distrito Estadual de Fernando de Noronha (PE).

A estrutura da empresa inclui:

  • Mais de 10 mil agências de atendimento;
  • 8 mil unidades operacionais;
  • Frota de 23 mil veículos;
  • 80 mil empregados diretos.

Os serviços dos Correios abrangem desde a entrega de livros didáticos a escolas públicas até o transporte de urnas eletrônicas e ajuda humanitária em situações emergenciais, como nas enchentes do Rio Grande do Sul e no tornado de Rio Bonito do Iguaçu (PR), em novembro de 2025.