Sansão e Scooby
Foto: Reprodução/Instagram/Todos por Sansão | Instagram/apa_fortaleza/

Em meio a tantas notícias duras sobre maus-tratos a animais, é inevitável sentir um aperto. Histórias que chocam, revoltam e deixam a sensação de que a crueldade fala mais alto. Mas, entre um caso e outro, também existem relatos que vão na contramão da violência, histórias que lembram que a empatia ainda encontra espaço e que a denúncia, o cuidado e o acolhimento podem transformar destinos.

O recente caso do cachorro Orelha reacendeu esse alerta no país. Ao mesmo tempo, ele também convida a olhar para outras histórias que, embora tenham começado na dor, terminaram em recomeço.

Sansão: da mutilação à recuperação que emocionou o país

Em 2020, o país se chocou com as imagens de Sansão, um pitbull que teve as duas patas traseiras decepadas em um episódio brutal de maus-tratos em Confins. O crime gerou revolta, mobilizou autoridades, protetores independentes e veterinários, e se tornou símbolo da luta contra a crueldade animal.

Resgatado com vida, Sansão passou por cirurgias, tratamento intensivo e um longo processo de reabilitação. Com acompanhamento especializado e apoio de voluntários, o cão se recuperou e voltou a caminhar com o auxílio de próteses, passando a viver em um ambiente seguro e cercado de cuidados.

A agressão contra o cão gerou a lei 14.064/2020, conhecida como a Lei Sansão, que aumenta as punições para quem maltrata cães e gatos.

A lei, que foi sancionada em setembro de 2020, prevê pena de dois até 5 anos de prisão, além de multa e proibição de guarda, para quem maltratar cães e gatos, incluindo a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação dos bichos de estimação será punida com reclusão de dois a cinco anos.

Símbolo nacional, Sansão faleceu em 2024, de forma súbita.

Scooby: o cachorro abandonado que ganhou uma nova vida

Outro caso que mobilizou o Brasil foi o de Scooby, encontrado em estado gravíssimo após ser vítima de maus-tratos no interior do Ceará. Extremamente debilitado, o cachorro foi resgatado por protetores e levado para tratamento veterinário, em uma ação que ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa.

Scooby sobreviveu, passou por um intenso processo de recuperação e se tornou símbolo de resistência e esperança. Após ganhar visibilidade nacional, o cão foi adotado e hoje vive em um lar definitivo, longe da violência que quase lhe custou a vida.

Quando a denúncia muda o destino?

Histórias como as de Sansão e Scooby mostram que a violência doméstica contra animais nem sempre precisa terminar da pior forma. Em muitos casos, vizinhos, familiares ou pessoas próximas percebem sinais de agressão, como ferimentos recorrentes, medo excessivo, isolamento ou abandono, e decidem agir.

Essas denúncias permitem que ONGs, protetores independentes e autoridades intervenham a tempo, interrompendo ciclos de violência e garantindo uma nova chance para os animais. Especialistas em bem-estar animal destacam que os maus-tratos dentro de casa costumam ser recorrentes e silenciosos, o que torna o olhar atento da sociedade fundamental.

Um alerta que vai além dos animais

Casos de violência contra animais também acendem um sinal de alerta social. Estudos e profissionais da área apontam que a crueldade contra pets dentro do ambiente doméstico pode estar associada a outras formas de violência, funcionando como um indicativo de risco para toda a família.

Por isso, denunciar maus-tratos não é apenas um ato de proteção animal, mas também uma medida de prevenção social.

Como ajudar a transformar histórias?

Quem presencia ou suspeita de maus-tratos pode e deve denunciar. No Brasil, o crime é previsto em lei, e as denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio dos canais das polícias Civil e Militar, além de serviços estaduais e municipais de proteção animal.

Histórias que terminaram bem mostram que a ação de uma única pessoa pode ser decisiva para transformar sofrimento em recomeço. Em meio a casos que chocam e entristecem, os finais felizes reforçam que a empatia e a responsabilidade coletiva ainda são caminhos possíveis e necessários.