
A morte do cachorro Orelha, em Praia Grande, no Sul de Santa Catarina, causou comoção nacional e trouxe à tona um debate que vai além de um caso isolado de maus-tratos: a relação direta entre violência contra animais e outros tipos de agressão dentro da sociedade, conhecida como Teoria do Elo.
Orelha era um cão comunitário, conhecido por moradores da região por seu comportamento dócil. Ele foi encontrado gravemente ferido após sofrer agressões brutais, e os suspeitos são um grupo de pelo menos adolescentes. O cãozinho, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e morreu.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens e relatos que apontam sinais claros de crueldade, levantando suspeitas de violência intencional. As autoridades passaram a investigar o ocorrido, tratando o caso como crime de maus-tratos, conforme prevê a legislação brasileira.
A indignação popular se espalhou rapidamente pelas redes sociais e mobilizou protetores independentes, organizações de defesa animal e cidadãos que cobraram justiça. Mais do que a perda de um animal conhecido pela comunidade, o caso de Orelha passou a simbolizar um problema estrutural: a naturalização da violência contra seres vulneráveis.
O que diz a Teoria do Elo
Desenvolvida nos Estados Unidos por especialistas das áreas de saúde, segurança pública e bem-estar animal, a Teoria do Elo parte do princípio de que a violência contra animais raramente acontece de forma isolada. Ela integra um ciclo maior de agressões que pode envolver mulheres, crianças, idosos e outros membros vulneráveis da família.
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB), em muitos lares marcados por violência doméstica, os animais são as primeiras vítimas. A crueldade funciona como um sinal de alerta precoce para comportamentos agressivos mais amplos, que podem evoluir para crimes ainda mais graves.
Estudos associados à teoria mostram que ameaças ou agressões contra pets são frequentemente usadas como instrumento de controle emocional por agressores, servindo para intimidar, silenciar ou manter vítimas em situação de medo constante. Assim, ignorar maus-tratos a animais pode significar fechar os olhos para um ambiente violento mais profundo.
Violência animal como questão de segurança pública
Especialistas defendem que o combate aos maus-tratos deve ser entendido não apenas como uma causa ligada ao bem-estar animal, mas também como uma estratégia de proteção social e segurança pública. Investigações internacionais indicam que indivíduos envolvidos em crimes violentos frequentemente apresentam histórico de crueldade contra animais.
Nesse contexto, casos como o de Orelha reforçam a importância da denúncia e da atuação rápida do poder público. Identificar e punir esse tipo de crime pode interromper ciclos de violência antes que eles atinjam outras vítimas.
Como denunciar maus-tratos a animais
A população pode e deve denunciar casos de crueldade. As denúncias podem ser feitas de forma anônima:
📞 Disque 181 – Polícia Civil
🌐 Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (DEPA): www.ssp.sp.gov.br/depa
A história de Orelha não deve ser lembrada apenas como mais um episódio de violência, mas como um alerta coletivo. Proteger os animais também é proteger pessoas.