Voluntária coloca coleira refletiva em cão abandonado enquanto outros animais descansam em casinha improvisada feita com material reciclado.
Vânia Maria usa coleiras refletivas para proteger cães de rua em Goiás (Foto: Arquivo Pessoal/Vânia Maria da Silva)

A voluntária Vânia Maria da Silva Lima, de 42 anos, colocou 60 coleiras refletivas em cães em situação de rua em Quirinópolis, no sudoeste de Goiás, entre os dias 21 e 23 de dezembro, com o objetivo de evitar atropelamentos ao aumentar a visibilidade dos animais durante a noite. A ação repercutiu nas redes sociais e emocionou internautas, que destacaram o cuidado e a dedicação da voluntária.

O trabalho com a causa animal é realizado por Vânia há três anos e inclui doação de filhotes, castração de cães adultos e cuidados diários. Mesmo mantendo 11 animais em casa, ela concilia o voluntariado com o trabalho em uma empresa da cidade; Vânia é vigilante, embora não esteja atuando atualmente na função. Segundo estimativas, há cerca de 300 cães vivendo nas ruas do município.

Ao todo, foram fabricadas 150 coleiras refletivas, também distribuídas a outros voluntários. O custo elevado das coleiras prontas levou Vânia e o marido a produzirem o material em casa, com apoio de moradores que contribuíram com doações para a compra de máquina portátil e fitas refletivas.

Em entrevista ao g1, Vânia contou que o cuidado com cães abandonados foi decisivo para superar um quadro de depressão.

“Apesar de tantas dificuldades, sou movida pelo amor que esses cães demonstram por mim e pelo amor que eu tenho por eles e pela causa animal. Luto para que os cães em situação de rua sejam respeitados e recebam o cuidado que merecem”, disse.

A preocupação com atropelamentos persistia, já que apenas as ações já realizadas não eram suficientes. Ao conhecer o projeto das coleiras refletivas pelas redes sociais, Vânia decidiu aderir à iniciativa para proteger os animais e também os motoristas, já que muitos acidentes ocorriam por falta de visibilidade noturna.

Segundo a voluntária, o uso das coleiras amplia a chance de desvio ou alerta a tempo, embora o resultado também dependa da consciência de quem dirige.

“Mas isso também depende da consciência de quem está dirigindo, já que a coleira veio justamente para dar visibilidade, refletindo bastante durante a noite”, ressaltou.

Além das coleiras, Vânia desenvolve roupas de frio e vestimentas cirúrgicas para cães em situação de rua, especialmente no pós-castração. O próximo objetivo é adquirir um veículo de carga para facilitar o transporte de animais e de ração. Ela também acompanha tratamentos, administra medicamentos e promove adoções — um desafio maior quando se trata de cães adultos, que ainda encontram menos lares do que filhotes.