
Com o avanço do vírus da Covid no Brasil, um novo dado chama atenção: pessoas com menos de 40 anos são maioria nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do país, desde o início da pandemia. Além disso, pacientes em casos graves que não apresentam comorbidade, como obesidade ou diabetes, apresentaram a necessidade maior da ventilação mecânica.
Segundo levantamento feito pela plataforma UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amid), 52,2% das internações nas UTIs do Brasil foram com pessoas até 40 anos; e o total de pacientes que necessitaram de ventilação mecânica atingiu 58,1%. Os dados apontam uma mudança no perfil dos infectados pelo vírus, que necessitam de UTI.
O coordenador da plataforma UTIs Brasileiras e ex-presidente da Amib, Ederlon Rezende, aponta que há três conclusões que podem ser feitas baseadas no levantamento: as novas variantes do vírus devem ser mais agressivas; a falta de cuidado de parcelas da população pode estar afetando os mais jovens; e a imunização dos mais velhos tem ajudado a conter os casos graves entre os idosos. “Embora os dados mostrem que a vacina pode estar tendo o efeito esperado entre os mais velhos já imunizados, eles também revelam que, ao se acharem imbatíveis, os jovens, muitos sem qualquer comorbidade, são agora as maiores vítimas da epidemia”, pontua Ederlon.
O levantamento da Amib é feito a partir de uma amostra expressiva, englobando 20.865 leitos de UTI no país, o que representa cerca de 25% de todas as unidades, sendo 2/3 privadas e 1/3 públicas.
Causas de contaminação
As causas de contaminação do Covid entre os mais jovens muitas vezes são apontadas pela exposição em festas e reuniões com os amigos, porém, é preciso ressaltar que a economia também afeta a situação. Com o fim do auxílio emergencial de 2020, e o retorno de novas parcelas do benefício agora em abril, em uma proporção menor, muitas pessoas foram obrigadas a circular novamente atrás de alguma renda para sobreviver.
Em 2020, o auxílio emergencial foi pago entre abril e dezembro, com R$ 600 ao mês, beneficiando 66 milhões de brasileiros. A nova rodada, de R$ 250, está prevista para durar apenas quatro meses e atingir 45,6 milhões de pessoas.