Duas pessoas sentadas seguram as mãos em gesto de apoio e acolhimento, simbolizando cuidado emocional e saúde mental.
Psicólogo explica quando procurar ajuda emocional (Foto: Divulgação/Hospital São Vicente)

A campanha nacional Janeiro Branco chama a atenção para a saúde mental e incentiva as pessoas a olharem com mais cuidado para suas emoções. Mesmo com avanços no debate público, ainda persiste o mito de que procurar terapia é sinal de fraqueza — uma ideia que afasta muitas pessoas do cuidado adequado.

Segundo o psicólogo Vinicius Costa, do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), esse pensamento está profundamente enraizado na cultura brasileira.

“Esse mito vem de uma cultura que valoriza a ideia de ‘dar conta sozinho’, como se pedir ajuda fosse sinônimo de incapacidade. Por muito tempo, questões emocionais foram tratadas como ‘frescura’, o que elevou o estigma e afastou muitas pessoas do cuidado adequado. Na prática, buscar terapia é exatamente o contrário: é um ato de coragem e responsabilidade consigo mesmo”, afirma.

Sinais de que a saúde emocional precisa de atenção

Reconhecer quando algo não vai bem emocionalmente é um passo essencial para a prevenção. De acordo com o psicólogo, alguns sinais costumam surgir antes de quadros mais graves e não devem ser ignorados:

  • cansaço emocional persistente;
  • irritabilidade fora do comum;
  • dificuldade de concentração;
  • mudanças no sono ou no apetite;
  • sensação de viver “no automático”;
  • perda de interesse em atividades que antes traziam prazer.

“A terapia não é apenas para momentos de crise, qualquer mudança persistente é uma pista de que algo merece atenção”, reforça Vinicius.

Terapia como forma de prevenção

Um ponto ainda pouco discutido é o papel preventivo da psicoterapia. Assim como acontece em outras áreas da saúde, quanto mais cedo o cuidado começa, melhores tendem a ser os resultados.

“A psicoterapia ajuda a identificar padrões de comportamento e pensamento que podem causar sofrimento no futuro. Além disso, fortalece recursos internos importantes, como autoestima, tomada de decisões, manejo de conflitos e estratégias de enfrentamento. Isso reduz o impacto de situações de estresse e ajuda a pessoa a lidar com desafios de forma mais saudável”, explica o profissional.

Como funcionam as primeiras sessões de terapia?

Para quem nunca fez terapia, é comum surgirem dúvidas sobre como são os primeiros encontros. Vinicius esclarece que esse início é marcado pelo acolhimento e pela escuta ativa.

“Nas primeiras sessões, o foco geralmente é compreender a história da pessoa, seus motivos para buscar ajuda e o que ela deseja alcançar. É um momento de acolhimento, sem julgamentos”, comenta.

A partir desse contato inicial, é construído um plano de cuidado que favorece o autoconhecimento e ajuda o paciente a identificar emoções, padrões e necessidades que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

Quando procurar ajuda com urgência?

Existem situações em que buscar apoio psicológico não pode ser adiado. Pensamentos de morte, incapacidade de realizar tarefas básicas, crises de ansiedade intensas e frequentes, isolamento extremo e sofrimento emocional incapacitante são sinais de alerta.

Nesses casos, a recomendação é procurar um psicólogo com urgência. Adiar esse cuidado pode agravar o quadro e aumentar o risco de depressão, crises de pânico e outras complicações.

“O SUS oferece portas de entrada como as Unidades Básicas de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial, onde a pessoa pode ser acolhida de forma gratuita e segura”, orienta o psicólogo.

Janeiro Branco: um convite ao cuidado contínuo

Mais do que um tema de início de ano, o Janeiro Branco propõe uma reflexão permanente sobre a importância de cuidar da mente. Buscar ajuda psicológica é um passo fundamental para quem deseja viver com mais equilíbrio, consciência emocional e qualidade de vida.