
Em meio ao verão, as altas temperaturas reforçam a necessidade de atenção redobrada à saúde da população. De acordo com o médico infectologista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) de Jundiaí (SP), Marco Aurélio Cunha de Freitas, este é um período marcado pelo crescimento de casos de viroses e doenças gastrointestinais, causadas tanto por vírus quanto por bactérias, além do alerta constante para as arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Segundo o especialista, o reaparecimento do mosquito intensifica o risco de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. “Embora não apresentem altas taxas de mortalidade, essas enfermidades costumam provocar muitos sintomas e causar grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, gerando elevada morbidade. São doenças que exigem atenção, acompanhamento médico e cuidados contínuos”.

Arboviroses seguem como preocupação constante
Mesmo com a redução das viroses respiratórias durante o verão, como Covid-19 e influenza, o médico ressalta que elas não deixam de ser uma preocupação. Por isso, ele reforça a importância de manter medidas de precaução, especialmente no atendimento a pacientes com sintomas respiratórios suspeitos.
Intoxicações e gastroenterites aumentam com o calor
Outro ponto de alerta nesta época do ano são as intoxicações bacterianas e as gastroenterites, frequentemente associadas à má conservação dos alimentos. Com o calor, as bactérias se multiplicam mais rapidamente, acelerando a deterioração dos alimentos e aumentando o risco de contaminação após a ingestão.
Além disso, banhos em rios e no mar também podem representar riscos, principalmente quando a água está contaminada.
“Também chamo a atenção para a qualidade da água do mar, especialmente em praias consideradas impróprias. A água pode conter toxinas, bactérias e alta concentração de algas, favorecendo intoxicações. Neste ano, inclusive, foram registradas algumas das piores condições de contaminação já divulgadas”, alerta. O cuidado deve ser redobrado, principalmente com crianças.
Hidratação segura é fundamental no verão
A hidratação é outro fator essencial durante o verão, mas a procedência da água consumida deve ser sempre considerada. Historicamente, a água contaminada já foi um dos principais vetores de doenças gastrointestinais. Por isso, é fundamental manter uma hidratação adequada, porém com água de qualidade e segura para consumo.
Sintomas e quando procurar ajuda médica
Entre os principais sintomas das intoxicações e infecções gastrointestinais estão diarreia, vômitos frequentes e febre. Sintomas diferentes ou quadros intensos devem ser investigados, assim como sinais persistentes, para descartar casos graves e direcionar o tratamento adequado. Na maioria das situações, o tratamento é sintomático, com foco na hidratação, mas em alguns casos pode ser necessário o uso de antibióticos.
Todas as faixas etárias estão suscetíveis às infecções, porém crianças, bebês e idosos costumam apresentar os quadros mais graves, principalmente devido ao risco aumentado de desidratação. Nesses casos, a hidratação adequada é fundamental e pode exigir acompanhamento médico, medicação para facilitar a ingestão de líquidos por via oral ou, em situações mais graves, hidratação endovenosa.
Cuidados simples que fazem a diferença
Para se proteger durante o verão, o médico orienta cuidados simples, porém essenciais: manter uma hidratação intensa com água de procedência confiável, consumir alimentos de qualidade, proteger-se do sol com chapéus, bonés, roupas adequadas e protetor solar. Ele também reforça que a recomendação média de dois litros de água por dia pode ser insuficiente em períodos de calor intenso, sendo necessário aumentar a ingestão conforme a exposição ao calor.
Por fim, o combate ao Aedes aegypti continua sendo indispensável. Evitar água parada, manter ambientes limpos e utilizar repelentes, quando necessário, são medidas fundamentais para reduzir o risco de transmissão das arboviroses.

“O cuidado no verão vai além do conforto: é uma questão de prevenção e saúde”, conclui o especialista.