Seu João saindo do hospital de cadeira de rodas
"Seu" João, de 71 anos, passou cerca de 15 dias no Hospital. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

“Seu” João, de 71 anos, é um dos mais novos curados do coronavírus em Jundiaí. Internado, em isolamento, por aproximadamente 15 dias no Hospital Pitangueiras – Sobam/Amil, sua história foi propagada por Eduardo Mikio Sassaki, de 28 anos, um dos médicos que o atendeu durante o período que esteve hospitalizado.

A Covid-19 pegou “seu” João de jeito. O idoso não chegou a ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva, mas praticamente, desaprendeu a respirar.

“Foi bem difícil ele voltar a respirar sozinho. Vários dias tentando deixar ele sem nenhum suporte de oxigênio e ele não conseguia ficar sem”, detalha Eduardo, formado na Faculdade de Medicina de Jundiaí.

Mas “seu” João tinha um incentivo. Ele tinha a sua “dona” Maria.

A história do casal virou tema de uma publicação na rede social do médico (veja o texto completo abaixo).

“Foram mais de 15 dias longe de casa e de seu amor. Não podíamos falhar. Seu João e a Dona Maria confiavam em nós. E nós precisávamos unir os dois novamente. E é incrível como nestas horas, o amor sempre vence. Seu João merecia vencer. E venceu. Sua história também merecia ser contada. E foi”, escreveu o médico.

Mesmo lutando para voltar a, simplesmente, respirar, “seu” João sempre pedia ao ‘doutor’ que trouxesse notícias sobre a esposa.

“Eu era a “carta de um para o outro””, disse Eduardo, na publicação.

Foram dias difíceis, mas eles passaram.

“Seu” João voltou para a sua “dona” Maria e a força desse amor ficou de lição: para quem busca esperança em meio à pandemia e para aqueles que buscam força para ocupar, dia após dia, a linha de frente.

“O que me dá forças é saber que todos os dias posso fazer a diferença na vida de alguém. Não há dinheiro que pague ver o sorriso dos pacientes no momento das altas. É algo inexplicável”, confessa Eduardo ao Tribuna de Jundiaí.

“Tenho certeza que logo vai ficar tudo bem”.

Veja a publicação de Eduardo na íntegra:

“Seu João” era gente como a gente. Caipira como eu. Gente simples e humilde. De coração bom.

Vivia em paz quietinho em sua chácara. Sua vida era cuidar da sua esposa e dos seus bichinhos, com o mesmo amor que cuidamos de nossos pacientes.

Infelizmente, “o bicho pegou ele de jeito”, como ele mesmo dizia.

Foram dias difíceis. O medo insistia em bater na nossa porta. Mas tínhamos certeza que venceríamos. Nunca faltaram sorrisos. Dia após dia nos fortalecíamos. Um passo de cada vez, até que o Seu João “reaprendeu a respirar”. E hoje pode suspirar de alegria.

Foram mais de 15 dias longe de casa e de seu amor. Todos os dias, eu era a “carta de um para o outro”.

“Doutor, como está a minha Maria? Mande um beijo e um abraço bem apertado, e diga que estou com saudades dela.” Todos os dias o Seu João me pedia para passar a sua mensagem à sua amada “Dona Maria.”

“Doutor, diga que estou bem. Mande um beijo e um abraço bem apertado, e diga que estou com saudades dele.” Todos os dias a Dona Maria me pedia para passar a sua mensagem ao seu amado “Seu João.”

Não podíamos falhar. Seu João e a Dona Maria confiavam em nós. E nós precisávamos unir os dois novamente. E é incrível como nestas horas, o amor sempre vence.

Seu João merecia vencer. E venceu.

Sua história também merecia ser contada. E foi.

Mais um exemplo de que o amor, a fé e a esperança devem sempre prevalecer.

E depois de tudo, Seu João fez questão de escrever esta carta para agradecer por tudo. Dá para sentir o amor que há em cada palavra. E como ele mesmo fez questão de ressaltar:

Nós não somos ninguém sem cada um de nós. Funcionários da limpeza, técnicos de enfermagem, profissionais da cozinha, fisioterapeutas, nutricionistas, seguranças, recepcionistas, enfermeiros, secretários, psicólogos e todos aqueles que estão juntos conosco na linha de frente. Todos somos um só. Sabemos que não está fácil. Mas precisamos de cada um de vocês para continuar tentando fazer a diferença.

Seu João, agora inspire e respire por todos nós. Ver a sua despedida com as mãos para o alto e mandando beijos à Dona Maria só nos dá mais força para continuar lutando.

Mais uma vez, acreditem. Vamos vencer. Deus está com a gente. Vai ficar tudo bem!