A professora de Jundiaí, Arabelle Calciolari, docente da EMEB Maria Angélica Lourençon, é uma das 10 vencedoras do maior e mais importante prêmio da educação básica brasileira, o Prêmio Educador Nota 10.
Ela conquistou o prêmio por conta do seu projeto de Língua Estrangeira, ‘Os Beatles – seu tempo e sua história’, trabalhado com os alunos do 4º ano do Ensino Fundamental I, onde ela colocou em prática o ensino da língua inglesa aliado com outros conceitos, piorizando a exposição dos alunos à língua e ao universo cultural e social que permeia as obras musicais dos Beatles.
Durante o projeto, já realizado com três turmas diferentes, Arabelle apresenta oito canções da célebre banda inglesa, cada uma por meio de um exercício de listening diferente, variando as estratégias. As letras, sem tradução na hora do exercício, ocasionam debates sobre o que as crianças entenderam, construindo a compreensão de maneira coletiva.
Questões sociais
Mais do que apenas trabalhar a língua inglesa, Arabelle levou para a sala de aula a história de cada composição, informações sobre o contexto das décadas de 1960 e 1970 e o engajamento político que a banda adotou na época. Assim, a turma entra em contato com questões como a segregação racial e a guerra do Vietnã.
O projeto inicia sempre com duas músicas fixas: Hello Goodbye e Blackbird. Depois, Arabelle mostra alguns vídeoclipes da banda para os alunos que, entre eles, escolhem a música que querem trabalhar. “Cada turma se encanta com uma música. E o legal do projeto é isso: há uma grande participação dos meus alunos. Essa conquista não é só minha, é deles também”, afirma a educadora.
Para ela, mais do que trabalhar a língua inglesa, o intuito é trabalhar questões sociais, fazendo com que as crianças reflitam sobre o mundo em que estão inseridas.
“Meu objetivo é tirar eles da zona de conforto, para fazer com que pensem e reflitam sobre o que a gente já viveu e estamos vivendo. Para que eles saibam que, se eles têm certas liberdades hoje, é porque no passado pessoas lutaram para que esses direitos fossem garantidos”, continua.
A música Blackbird, por exemplo, sucesso dos Beatles em 1968, é inspirada no Movimento dos Direitos Civis dos Negros nos Estados Unidos. Na composição, a mensagem de Paul é “mantenha sua fã, existe esperança” em meio a opressão da época. E, como uma das músicas fixas trabalhadas pela professora Arabelle dentro do projeto, a canção permeia uma série de discussões em sala de aula sobre a questão racial.
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“Eu sempre tento, dentro dos meus projetos em sala de aula, falar sobre essas questões. Dentro dessa música, tento mostrar que os Beatles viam o que acontecia no mundo e que essa música foi uma forma da banda de se posicionar contra a segregação. Dentro disso, abordo nomes importantes, como Martin Luther King, por exemplo”, reiteira Arabelle.
O prêmio
No início do mês, Arabelle descobriu que foi uma das 50 finalistas em um universo de 5 mil inscrições. Desde já, a alegria já era imensa. “Eu fiquei muito feliz, porque sempre trabalho vários projetos em sala de aula, tenho outros além desse dos Beatles, e nunca vi como algo grandioso, para mim era sempre tudo muito normal, comum. Mas quando eu me classifiquei entre os 50 eu já vi que não era tão comum quanto eu pensava”, afirma.
Agora, entre os 10 mais, a felicidade é ainda maior. “Eu posso dizer que estou nas nuvens. Já chorei muito, estou muito feliz”, comemora a finalista.
Para a escolha dos vencedores, há uma Academia de selecionadores, formada por grandes especialistas em didáticas específicas, pesquisadores das principais universidades do país, orientadores de graduação e pós-graduação, além de formadores de gestores e de professores em suas respectivas disciplinas.
Dos 10 projetos campeões, quatro são trabalhos realizados com alunos do Ensino Fundamental I (sendo um também EJA), três com turmas do Ensino Médio, dois de gestão e outro com o Ensino Fundamental II. As disciplinas são variadas, indo de Educação Física à Matemática.
Com a premiação, Arabelle ganha um vale-presente no valor de R$ 15 mil, além de todas as despesas pagas para participar de uma semana de imersão e da cerimônia de premiação, marcadas para setembro, em São Paulo, onde vai concorrer ao título de Educadora do Ano.